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Macroeconomia
há 2 anos

Uma nova recessão mundial bate à porta?

Os indícios de uma nova recessão mundial, tão debatidos ao longo de 2018, ganham contornos preocupantes no início deste ano. A redução do crescimento das principais economias (EUA, União Europeia, China e Japão) já é tida como certa, a guerra comercial entre Estados Unidos e China teve uma trégua, mas não um desfecho, e a novela Brexit, que precisa ser concluída até março, está com o acordo travado no parlamento inglês, prolongando o efeito negativo sobre a atividade econômica da União Europeia.

Apesar do cenário internacional amplamente adverso, uma recessão ainda em 2019 não é consenso. O mais provável é que haja crescimento modesto e muito suscetível às intempéries de um mercado globalizado. Em nota a investidores, J. P. Morgan afirma: “Simplesmente olhar para os mercados sugeriria que a economia global segue rumo a uma recessão. No entanto, embora concordemos que a economia global está em desaceleração, não vemos uma recessão iminente”. O Banco prevê que o crescimento dos Estados Unidos deverá ficar na casa dos 2%, frente aos 3% projetados para 2018.

O problema é que existe um descompasso entre as economias, que até 2017 caminhavam numa aceleração sincronizada. Os cortes de impostos feitos por Donald Trump elevaram o crescimento num momento em que o desemprego nos EUA atingia o menor nível desde 1969. Na contramão do momento norte-americano, o FMI projeta desaceleração mais acentuada para países desenvolvidos. Os emergentes, por sua vez, vivem uma fase ainda pior.

Isso significa políticas monetárias diferentes. Desde dezembro de 2015, o Fed (Banco Central norte-americano) aumentou a taxa de juros oito vezes.O Japão tem taxas negativas, a China está afrouxando sua política monetária e o Banco Central Europeu está longe de poder fazer seu primeiro aumento. Quando a taxa de juros sobe apenas nos EUA, o dólar se fortalece e os emergentes sofrem mais para pagarem suas dívidas em dólares (Argentina e Turquia são exemplos de 2018).

Em um especial sobre o que chamou de “a próxima recessão”, a revista The Economist resume os principais desafios da crise que se desenha: em outro momento, lidar com o enfraquecimento da atividade econômica seria relativamente simples. A cartilha de macroeconomia diria que os bancos centrais deveriam cortar os juros de curto prazo até a economia ser reaquecida.

Mas desde o último colapso financeiro, em 2008, as taxas de todo o mundo caíram quase a zero. A lenta recuperação manteve os juros lá embaixo, o que deixa um espaço muito pequeno para reduções futuras. “Nos últimos 50 anos, o Fed enfrenta recessões cortando a taxa de juros em cinco ou mais pontos percentuais. Hoje, ele tem menos da metade desse espaço antes de chegar a zero. A zona do euro e o Japão não têm espaço algum”, alerta a revista.

A ascensão de governos populistas também preocupa, lembra a reportagem. Há dez anos, a crise generalizada foi enfrentada através de recursos fiscais, monetários e esforços diplomáticos, com bancos centrais estreitando as relações para uma solução em conjunto. Mas o mundo de 2019 vive uma guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas, o Reino Unido pode deixar o bloco europeu sem o necessário acordo de saída e partidos nacionalistas, com discursos fortemente protecionistas, começam a ganhar espaço.