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Agronegócio
há 11 meses

O que é CRA?

CRA é a sigla para Certificado de Recebíveis do Agronegócio, título de crédito emitido exclusivamente por securitizadoras e que tem por objetivo financiar o setor agropecuário.

O CRA  é um instrumento de renda fixa, e, embora possa representar risco ligeiramente maior do que outros investimentos da categoria, ele também apresenta retorno mais atrativo.

Um dos pontos positivos desse título é que ele pode ser estruturado de acordo com as necessidades do produtor ou da empresa — a figura que irá ceder seus recebíveis ou emitir um título de dívida para servir de lastro ao CRA.

Embora exista uma infinidade de estruturas possíveis, há duas características principais relacionadas ao lastro de uma operação de CRA. Ele pode ser diversificado ou corporativo:

CRA Diversificado: geralmente dividido em concentrado (de dois a 100 devedores) ou pulverizado (acima de 100). Nesse caso, existe um limite máximo estabelecido para cada devedor dentro da operação, que normalmente é de 3%.

CRA Diversificado

CRA Corporativo: quando o título possui um único devedor.

CRA Corporativo

Os lastros possíveis, bem como formas de proteção e análise de risco para essas estruturas estão resumidos no quadro abaixo.

Lastros CRA

Investidor. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio são mais indicados para investidores que querem aplicar visando o longo prazo. Apesar de existirem CRA com vencimentos de 180 dias, é mais comum que esses títulos possuam prazos alongados, com média de 3 a 5 anos, mas podendo chegar a 15 anos. Geralmente, quanto maior for o prazo, maior será o risco da operação, e portanto, maior a rentabilidade da aplicação.

Apesar de o CRA não contar com a cobertura do FGC, o investidor pode mitigar riscos avaliando as características do título, como o rating da empresa devedora e/ou da operação. Há, ainda, títulos emitidos com seguro de crédito.

O rating é uma nota que as agências de classificação de riscos dão para companhias ou operações com base na chance de pagamento da dívida.  

Além disso, é importante que o investidor leia o prospecto ou os documentos da oferta disponibilizados pela securitizadora e o coordenador líder. Esses documentos contêm todas as informações sobre a oferta, como valor da emissão, nome da companhia, estrutura da securitização, garantias, classificação de risco, remuneração, data de vencimento, entre outras coisas.

A emissão de um CRA tem como objetivo financiar a produção, operação, compra e manutenção de maquinários e distribuição de produtos do agronegócio. Os recursos obtidos com o CRA devem ser destinados ao financiamento de produtores rurais, ainda que outras empresas da cadeia do agronegócio possam intermediar o financiamento. Essas empresas são comumente classificadas como “antes, dentro e depois da porteira”.

Antes da porteira:fornecem insumos para o agricultor, ou seja, elementos necessários para a produção. Alguns exemplos: maquinário, fertilizantes e sementes.

Dentro da porteira: companhias que estejam relacionadas à produção direta. Exemplos: plantio, colheita e manutenção de máquinas.

Depois da porteira: armazenamento ou distribuição dos produtos agrícolas. Aqui entram também tradings, agroindústrias, supermercados, atacadistas, entre outros.

A remuneração de um CRA pode estar atrelada a diferentes indexadores, sendo que os mais comuns são o IPCA e o DI, geralmente acrescidos de uma sobretaxa.

É possível investir nesse certificado por meio de:

– Uma corretora;
– Diretamente com o emissor; ou
– No mercado secundário.

Vale lembrar que o CRA é um título incentivado e, por isso, isento de IOF e de imposto de renda sobre os rendimentos para o investidor pessoa física, o que contribui para o aumento da procura por esse investimento.